10 Conselhos para Correr Mais e Melhor

Que conselhos para correr mais e melhor tenho que ter em conta?” Se eu soubesse  a resposta a essa pregunta sería famoso e  tería muito dinheiro  mas acho que nem eu nem ninguém  sabe. Na verdade, não existe “a resposta” porque não há receitas mágicas para fazê- lo,  mas sim que há muitas pautas, práticas, atitudes, etc. que podem ajudar-nos a melhorar  a nossa corrida e que nos levará seguramente a desfrutar mais.

De entre um milhão de sugerências que se poderia fazer para conseguir esse objetivo de “correr mais e melhor” selecionamos  dez que pareceram-nos mais  interessantes porque, ainda que sejam muito gerais e aparentemente banais, podem abrir-nos alguma  vía de trabalho ou caminho para começar a praticar.

Não estão todos os que sabemos (haveria muitos  possiveis conselhos para correr), são dicas necessárias mas não suficientes (pô-las em prática não garante o resultado), terão maior ou menor aplicabilidade em função de quem os faça (não é o mesmo alguém que começa a correr ou que quere correr “mais devagarinho” que alguém “semi professional”)…

Escolhemos dez (não nove nem onze) porque –vamos admitir que fica fixe… Agora a serio, não há nenhuma razão especial. Também não estão ordenados por importância e não é necessario segui-los numa sequência, simplesmente leiam e fiquem com aqueles que vos pareçam mais interessantes para o seu caso particular.

Esperamos que vos seja útil e que vos ajudem a correr mais e melhor,  porque ao fim e ao cabo o que conta é que cada um desfrute correndo.

10 Conselhos para correr mais e melhor

1.- Busca aconselhamento especializado, um treinador

Se quando estás doente vais a um especialista (médico), quando queres construir uma casa vais a um professional (arquiteto)…, porquê que para correr não procuras um treinador qualificado e com experiencia?

Treinador presencial, á distância, individual (para ti sozinho), grupal (para varios do clube)… Cada um tem as seus prós  e contras e, logicamente, preços muito diferentes,  mas vai permitir-lhe ter um bom plano de treino, elaborado por alguém que sabe e que sabrá, adaptar-lo em função do que vá precisando.

Então não me valem os planos como os que publicam em Runnics?  Claro que te podem servir mas deves  ter muito atenção que são planos globais e que nunca podrão sustituir a um treino de um treinador que personaliza os treinos para alguém em concreto. Para começar,  podem valer os vossos  planos,  mas se estás a pensar em levar o atletismo a serio, melhorar, superar-te, etc. Então vale pena buscar um treinador.

2.- Faça um exame regularmente

Se com este título seguramente pensaram na prova de esforço que tantas vezes recomendamos, vamos numa boa direcção porque já têm interiorizado uma das coisas que muitos dos que estamos no  mundo do atletismo apelamos.

Mas, cuidado, porque uma prova de esforço faz-se num momento concreto, com um estado de forma concreto, etc. E conforme  passe o tempo, evolucionam os nossos parámetros corporais, estado de forma, objetivos…, assim que há que atualizar essas “medicões”.

Não faz falta repetir a prova de esforço cada mês,  mas sim deveríamos buscar algúm tipo de “protocolo” que nos permita medir o nosso estado de forma e o nosso progresso.

Fazer um seguimento do nosso pulso em repouso (nada mais levantar-nos), controlar como vamos evoluindo em algúm teste de campo (p. ej. test de Cooper), utilizar alguns dos tests que fazem certos aparelhos electrónicos (p. ej. fitness test), pesar-nos uma vez por semana, fazer uma estimação da percentagem de gordura, medir o  perímetro de alguns músculos… e,  supostamente, as análises da praxe (talvez duas por  ano) para comprovar que todos os parámetros fisiológicos estejam bem.

3.- Ouve o teu corpo, progressa pouco a pouco, sem pressa, sê constante

O corpo fala contigo continuamente e algumas vezes  grita e, se não  lhe prestas atenção, pode chatear-se e fazer greve ou ainda peor pode lesionar-se.

Notas que estás mais cansado do normal para o treino que fazes sem uma causa externa que o justifique, perdes mais peso do normal, ficas doente com frequência,  custa-te adormecer… Todo esso são avisos que o corpo te dá para que baixes um pouco o nivel de exigência.

Quando aumentes a carga de treino, sê sensato e não queiras fazer tudo no mesmo día, vai pouco a pouco, certificando-se de que o aumento que tenhas introduzido tenha uma assimilação e tolerância antes de passar ao seguinte aumento. Não tenhas pressa, melhor ir lentamente e  não parar que ter que fazer umas “ferias forçadas” por uma lesão. A constância é uma das chaves do progresso desportivo.

4.- Estabelece desafios e objetivos

Se não sabes a ónde vais, que  importa o caminho que escolhas”, disse o Coelho Branco á Alicia e quanta razão tinha.

Tenha objetivos e desafios que te motivem, que te ajudem a esforçar-te, sobre tudo nos momentos difíceis ou quando estiveres depremida tanto físico ou moral. Com eles, verás não só o objetivo mas  também o caminho e desfrutarás á medida que fores  progressando sem sentir-te que vais sem rumo.

Mas atenção, não esquecer que os objetivos têm que ser  SMART (Específico, Mensurável, Alcançável, Relevante, Temporal), sê sensato quando se trata de pô-los em pratica e não faças um “brindis ao sol” porque se calhar podes conseguir o efeito contrario e percas a coragem ao ver que não os consegues.

5.- Compete ou, pelo menos, participa em competições

As provas são um dos sitios onde mais motivação e desafios podemos encontrar, inclusíve se fores dos que simplesmente querem treinar para estar bem sem  preocupar-se especialmente de baixar as marcas.

Se tens medo á  palavra “competir”, ficas nervoso com a sensação de sentir-te forçado por ouvir a palavra “ competição”, não importa, inscreve-te e aceita a corrida, como um treino diferente em que vais  levar um dorsal no peito e que seguramente encontrarás algum grupo de amigos ou  desconhecidos que te vão levar a bom ritmo e vão permitir que faças kilómetros,  que a treinar sozinho não os farias.

Se fores dos que querem tirar o máximo rendimento  ir subindo devagarinho degraus de qualidade, melhorar tempos, etc. as competicões são excecionais  o lugar que tens para  demonstrar o que vales. Se, podemos ser “campeões de pista” e ter feito marca,  esso tem que ficar registado numa competição.

Importante, não te preocupes e não te pressiones mais do normal  nem fiques obcecado em subir distâncias, buscar provas mais duras, mais famosas… Simplesmente desfruta e procura as que mais gostas pelo ambiente, e o pessoal que vai.

6.- Trabalha a técnica de corrida

A técnica é básica mas, atento, não me refiro ao que se entendeu tradicionalmente como técnica e sim,  á técnica tal como se concebe agora.  Tudo esso dos calcanhares  ao glúteo, skipping alto e baixo, diagonais…, que tem vindo a ser feito desde há varias décadas está muito bem mas é só uma parte da técnica.

Na verdade, não deveríamos trabalhar a técnica só no  momento específico em que estamos a treinar-la, mas sim continuamente,  deveríamos ser conscientes da posição do nosso corpo, como pisamos, a respiração, o barrulho que fazemos ao correr… Pensa que o trabalho de técnica dura uns minutos, mas se não transferes ao resto do tempo que estás a correr não  vais  assimilar e interiorizar.

7.- Varía os treinos, terrenos, superfícies… Experimenta!

Não faças sempre o mesmo, no  mesmo sítio  e da mesma maneira, senão introduz as mil variaveis que te podem ocorrer e, se não  sabes, simplesmente experimenta.

Procura  novos percursos, rompe com o que fazias habitualmente e  apesar de sair do teu dia-a-dia, experimenta correr um pouco mais rápido ou um pouco mais lento, varía as horas do treino , … Aliás, mesmo que vás pelo mesmo percurso, experimenta variar ritmos, corre pela cidade, vai de carro a um lugar que não conheces, …

Ainda que sejas 100% de estrada, experimenta o trail running ou vice-versa, ainda que só corras por montanha, experimenta algum día ir á pista de atletismo ou  inclusíve ao tapete do ginásio.

Esqueçe  o relogio em casa ou vê somente para saber quanto tempo correste, mas não meças o pulso nem a distância, simplesmente desfruta. Seguramente descubras novas experiências como a de correr pela areia, lugar que o pessoal não quere ir porque corre-se muito devagar.

Falando de variedade,  há que andar de bicicleta, patinar, passear pela montanha, nadar…? Tudo esso  pode sumar muito, não só ao nivel de desconexão mental, mas também com vista ao treino para a corrida.

8.- Não te dediques só a correr: musculação, ginásio…

Es atleta, o.k, mas realmente achas que o único que te faz falta é ter boas pernas? E as costas, braços, pescoço, cintura…, inclusíve as propias pernas?

Se só corres, sempre exercitas os mesmos músculos de esta maneira vai haver uma descompensação com os que não exercitas. Além disso, é possível que, chegue um momento em que o que te vai limitar não sejam as pernas, mas sim p. ej. as costas, que não sejam capazes de aguentar tanto tempo ao ritmo que você é capaz de correr.

Experimenta treinar a força mas não entender a força como “matar-se” ou “estar como um croissant” porque a força implica muitas coisas. Treino funcional, com plataformas de inestabilidade, exercicios tipo HIIT…, há mil possibilidades de trabalhar a força sem ter que ir ao ginásio buscar a hipertrofia. Como te disse no primeiro conselho, procura  assesoramento e seguramente te faça descobrir um mundo novo  com o trabalho de força e começarás a desfrutar-lo. Os efeitos não se notam de um día para o outro, mas notarás, como cada vez te encontrás melhor, corres mais fácil, e menos subcarga no corpo…

9.- Faz o que gostas, treina o que te faz feliz

Sé prático e treina aquilo que realmente te motiva ainda  que suponha deixar de lado treinos teoricamente melhores.

Passo a explicar com um exemplo: Se não  gostas das series (p. ej. as típicas 10×1000) e não vais muito rapido numa competição,  para qué fazer duas vezes por semana series, de essas que acabas sem ar? O único que vais conseguir é que cada vez que te toque esse treino fiques aborecido e pensativo e não o vais a aproveitar. Está claro que convém fazer intensidade, mas há mil formas de treinar-la (mudanças de ritmo, rampas…), seguro que encontras alguma que te entretém e motiva.

O mesmo com o volume porque há quem detesta correr lento e longo (fazer kilómetros)  então, porque não fazer os treinos longos em bicicleta? Não é o mesmo, mas melhor que sufrer sem motivo.

10.- Escolhe bem o material (e cuida dele)

Entendamos por material tudo, no seu mais amplo sentido, não apenas pensando nos ténis para correr porque, ainda que seja a parte mais importante do material do atleta, não devemos esquecer-nos do têxtil (t-shirts, calções, malhas,meias, …) nem  de outros acessorios como os óculos, cuecas, aparelhos electrónicos, … e inclusíve a alimentação nutricional (geles, bebidas de isotónicas, …).

Centrando-nos um pouco nos ténis (ainda que  podemos extrapolar ao resto de coisas), não consideres só o preço, a estética, a moda, o desenho, … e nem procures umas tope de gama, as mais amortecidas, as mais ligeiras, … porque nenhuma é melhor mas sim que depende de quem as vai usar e cómo as vá a utilizar. Analiza o conjunto completo, não pares soltos, trata de buscar primeiro uma lista curta com dois ou tres candidatos e,depois, decidir o vencedor final.

Importante, uma vez comprado o material, cuida dele. E não o digo como as mães quando nos pediam (exigiam) que tivessemos cuidado com o  material escolar mas porque podrás desfrutar de ele em plenitude de condicões durante mais tempo. E se esso não te convence, pensa ao menos no dinheiro que te costou  e que, se não o cuidas, é  como se estivesses desperdiçando o seu dinheiro (o fato que te toque a carteira  já te doi um puoco mais e assím  me ouves).

Corolário: Não seja obssessivo , faça uma pausa de vez em quando

Se não vives do atletismo, porquê  correr para além das tuas forças,  ao ponto, de não desfrutar ou sentir-te motivado?

Como já disse em outro conselho, sê pragmático, prático, faz o que gostas e desfruta e, se em algum momento notas que deixas de desfrutar e que não és capaz de redirecionar, desconeta, deixa-o por um tempo e faz outro desporto ou faz outras coisas.

O bonito não é correr durante um ano, dois ou cinco e sim tentar chegar aos cem anos com vontade  de correr, encarar isso como um hábito para toda a vida e, durante esse tempo seguro que há altos e baixos assím que assuma-o e aprende a lidar com eles.

Seguro que quando voltares já renovaste as energías e regressas com tanta ou mais força. Além disso, nesse tempo de ausência podes descobrir novas motivacões das que seguramente desfrutes no teu regresso.